As doenças transmitidas por mosquitos ameaçam o mundo

Segundo a diretora-geral da OMS, as crises da zika, dengue e a chikungunya são resultados dos poucos programas controle na década de 1970.

Lançada na 69ª Assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS), a proposta de Controle de Vetores é estabelecer metas de diminuição das doenças transmitidas por mosquitos até 2030. O objetivo do programa é desenvolver agressivas táticas de prevenção e que, em um futuro próximo, algumas dessas moléstias sejam erradicadas.

“O que estamos enfrentando agora parece mais e mais como um ressurgimento das ameaças das doenças infecciosas”, disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS, na 69ª Assembleia da Organização Mundial da Saúde. “O mundo não está preparado para enfrentar isso”, completou.

Em sua fala, Chan  ressaltou  que a crise da zika, o ressurgimento da dengue e a emergente ameaça da chikungunya são resultados dos poucos programas de prevenção de doenças vetoriais na década de 1970. Naquela época, os orçamentos para o controle de vetores foram drasticamente reduzidos.

Controlar não é prioridade

A chefe do programa de malária, dengue, zika e chikungunya junto com o Ministro da Saúde no Brasil, Ana Santelli, afirmou que viu “os esforços do controle de vetores caírem durante seus 13 anos de trabalho”. Segundo ela, máquinas de spray, inseticidas e pessoas na equipe não eram frequentes e às vezes faltavam. “Esse controle não era uma prioridade”, afirmou.

Hoje, mais de 80% da população mundial corre risco de contrair doenças transmitidas por mosquitos, tais como dengue, zika, chikungunya e malária. Essas doenças, juntas, matam mais de 700 mil pessoas todo ano. Populações mais pobres em áreas tropicais e subtropicais correm um risco ainda maior.

Urbanizações sem devido planejamento, alterações na agricultura e outras mudanças climáticas tem sido o principal motivo para o aumento dos casos de doenças transmitidas por mosquitos no mundo inteiro. Pessoas com desnutrição e com baixa imunidade são ainda mais suscetíveis ao contágio.

Novas práticas de intervenção

A Resposta Global de Controle de Vetores (GVCR), órgão que cria estratégias de controle de doenças vetoriais, chamou a atenção para a importância da busca incessante de novas intervenções. Inseticidas, armadilhas e telas de proteção das casas mais efetivas são alguns exemplos do que a GVCR propõe.

Ana Santelli, apesar de otimista, observou que é preciso ter cautela. O programa irá ajudar os ministros da saúde de todo o mundo a ganhar apoio de seus governos para se focarem em práticas renovadas de Controle de Vetores. “Não será fácil”, ela prevê. “O trabalho da GVCR requer mais equipamentos, pessoas, dinheiro e uma mentalidade mais madura para lidar com o problema. O programa tem um grande potencial, mas o risco de não conseguirmos atuar também é alto”, concluiu.

Fonte: Organização Mundial da Saúde

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