Marcelo Mello, conhecido por disseminar ódio na Internet, é preso pela PF

Marcelo Mello, conhecido por disseminar ódio na Internet, é preso pela PF

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Marcelo já havia sido preso duas vezes anteriormente por ódio na Internet (Foto: Reprodução / Google Imagens)

A Operação Bravata, da Polícia Federal, se esforça em punir quem espalha conteúdo de ódio na rede. Em operação na manhã dessa quinta-feira (10) em Curitiba, no Paraná, a PF levou em prisão preventiva Marcelo Valle Silveira Mello, conhecido de longa data por perseguir mulheres na Internet e disseminar conteúdo misógino, homofóbico e racista.

Marcelo foi a primeira pessoa a responder criminalmente por racismo na internet, ainda em 2009, quando foi condenado a 1 ano e 2 meses de prisão por suas opiniões quanto à adoção de cotas raciais na USP, no Orkut. Nessa época, a defesa de Marcelo alegou que o mesmo seria mentalmente insano, o que lhe rendeu a absolvição.

Já em 2012, a PF investigou Marcelo na Operação Intolerância devido ao blog de masculinismo assinado por Silvio Koerich, que na verdade era um pseudônimo usado por Marcelo e seu comparsa Emerson Eduardo Rodrigues Setim. As postagens incluiam discurso de ódio contra mulheres, inclusive ensinando técnicas de estupro, e também incitavam que se praticasse pedofilia e violência contra negros, judeus, homossexuais e nordestinos, além de apoiar o Massacre de Realengo, em 2011, onde Wellington Menezes de Oliveira matou 12 crianças com idades entre 13 e 16 anos, logo antes de se matar.

Havia, também, indícios que a dupla teria arquitetado um atentado para assassinar estudantes do curso de Ciências Sociais da UnB. Durante as investigações da Operação Intolerância, descobriu-se que ambos teriam orientado Welligton a praticar atos em nome da seita Homini Sanctus, onde os participantes, incluindo Marcelo e Emerson, defendiam estupro contra menores e vulneráveis. Eles foram condenados a 6 anos e 3 meses de prisão, mas um indulto judicial os liberou em 2013.

Comuinidade no Orkut em apoio a Wellington (Imagem: Reprodução / Orku)

Com a liberdade, Marcelo criou o site Dogolachan, onde continuou a disseminar os mesmos conteúdos criminosos e ameaçavam organizações feministas. A blogueira Dolores Aronovich, do site feminista Escreva, Lola, Escreva, foi ameaçada por mais de cinco anos por Marcelo e seu exército de trolls, sempre relatando os corridos em seu site, com bites e mais bites de capturas de tela mostrando as ameaças e ofensas, além de boletins de ocorrência lavrados junto à Polícia.

Toda a dor de cabeça que a perseguição rendeu à Lola gerou uma vitória: a Lei 13.642/2018, conhecida como Lei Lola, de autoria da deputada federal Luizianne Lins (PT/CE) foi sancionada por Michel Temer no início do mês de abril, dando autoridade à Polícia Federal de investigar as ameaças e ofensas virtuais de fundo misógino.

Lola Aronovich comentou o caso: “Eu não tive opção, se eu parasse de falar deles eles não iam parar de falar de mim. As ameaças não iam parar. Eu sou a única feminista que muitos deles conhecem ou virei uma espécie de símbolo desse ódio.” Já o delegado da Polícia Federal, Flávio Augusto Palma Setti, comentou durante uma coletiva de imprensa logo após a prisão preventiva de Marcelo: “Após a soltura dos dois indivíduos presos na Operação Intolerância, ficou muito claro para a Polícia que o volume das ameaças, o volume dos crimes e os tipos do crime se alterou e voltou com força total. Ou seja, ficou nítido que assim que os indivíduos foram colocados em liberdade, os crimes voltaram num ritmo inclusive maior do que antes deles serem presos”.

Para o juiz que decidiu pela prisão preventiva de Marcelo, a medida foi o meio encontrado para garantir à população que os crimes cessariam, uma vez que o mesmo se recusava a parar de praticá-los. O juiz também decretou buscas e apreensões em outras cidades do Paraná de celulares, computadores e cadernos de anotações.

Sobre a condição de sanidade de Marcelo, Lola Aronovich declarou: “Realmente nós não podemos patologizar, mas eu acredito sinceramente que Marcelo e sua quadrilha devem ter alguma questão psicológica para chegar num ponto tão absurdo de odiar alguém. Só que a misoginia e preconceito não é doença, é crime de ódio”, referindo-se à defesa de Marcelo que em 2009 consguiu a absolvição com o argumento que o acusado não poderia ser punido pelos crimes que praticou consistentemente na última década por ser insano.

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